quarta-feira, 1 de junho de 2011

Chuva fina


Chuva fina no telhado
Cheiro de terra molhada
Imagino você ao meu lado
Teu cheiro invadindo o meu ser
Vejo tua sombra, silhueta amada
Se desenhando na penumbra de minha mente
Aos poucos seu corpo toma formas insinuantes,
Curvas acentuadas, sedutoras, deslumbrantes
Aromas se misturam na captura dos meus sentidos
Rendo-me aos seus encantos, seu cheiro de fêmea
Assaltando os meus pensamentos e desejos incontidos
Teso, entrego-me à conquista, guerreira Afrodite
Dançando o rito do amor, ciranda do prazer
Segredos desvendados, círculos, triângulos...
Geometria universal, ângulos, cantos e recantos
Dentro... Fora... Esquerda... Direita...
Geme, suspira... Côncavo... Convexo,
Sussurros, língua de Eros
Eu em ti, tu em mim
Latejantes... Sexos, mãos, pernas, dedos... Línguas, lábios
Deusa do amor, entregue ao desfrute de seu macho
Tenra, doce,... Preenchida
Lento... Rápido... Velocidade do prazer
Músculos... Contrai... Relaxa
Mastro e bandeira, flamejantes...
Flor e beija-flor...
Gemidos, gritos, toque, rendição...
Chuva fina no telhado, sinfonia...
Sinto, sinta...  Sintonia
Trovão, chuva, terra fecunda
Sol e lua... Chuva de estrelas
Homem... Mulher...
E o gozo...

Wanderley Andrade

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